A PINTURA





Na obra, tâo diversa, deste pintor

se deixam ver os vestígios de uma vida

pródiga em experiências.

Na sua formaçâo, o Brasil:

lá, a côr manda. Cobalto o céu,

tal como sai do tubo.

O mar, esmeralda. As vêzes, ultramar.

Verde limâo nas bananas.

Bronze e violeta na carne mulata.

Logo, os seus mestres:

Juca Moraes, artista puro, apóstolo

da alegría de pintar.

De Carlos Scliar a estrutura,

o amor às gamas profundas, saturadas,

requintadas.



Na Espanha, o reencontro

com a sobriedade da paisagem

e o homem de Castilha:

pastores no frío, ovelhas merinas.



Pescadores: Cantábrico e Mediterráneo.

Geometría de madeiras repintadas.

Azul. Vermelho matizado pelo iôdo.

Grises. Sutil violeta, mais azul...



Interiores: agora, clausura

e viagem en volta ao atelier.

No cavalete, o quadro inacabado,

na espera do toque que haverá de tirà-lo

das dúvidas.

Sofrido prazer, éste de pintar.

Intimidade. Dormitório azul.

Mâe e filho. “Mauve”, azul e rosa.



Uma longa série de exposiçoes

coletivas e individuais.

Desde o Rio de Janeiro e Sâo Paulo

à Portugal, Madrid, Granada, Málaga,

Castellón, Zaragoza, Barcelona,

Gerona, Almería, Gante (Bélgica)...